Entrevista com Midio

Nessa postagem não iremos apenas postar a entrevista, mas também fazer uma introdução ao "Pack of Horrors" e a "Alpaca Team".

Primeiro vamos falar um pouco do entrevistado de hoje, Lucas (mas conhecido como Midio) é um arquiteto e também artista da "Alpaca Team", sua especialidade é a criação de cenários. Você pode conhecer um pouco mais do trabalho dele aqui e aqui.

A "Alpaca Team" é uma equipe de criação de jogos independentes, seus jogos já lançados foram "Luke at the Stars" e "Cis & Dis vs. The Beat". A "Alpaca Team" está participando do "Pack of Horrors", um Game Jam que será realizado no Brasil do dia 26/07 ao dia 29/07. As empresas que estão participando terão que criar um jogo com o tema de terror nesse evento.

Confira agora a entrevista com o Midio:

1- Como você começou a produzir jogos e quais foram as maiores dificuldades no início?
Comecei a produzir jogos em 2009, quando trabalhava num estúdio full time como QA (quality assurance/tester). Eu acho que a maior dificuldade no início foi entender como exatamente se desenrolava o processo de produção de um jogo, e a porta de entrada como QA é excelente pra isso, já que você o pega nas etapas finais e precisa reportar os problemas e discutir os bugs com os programadores, artistas, músicos, etc. Então é uma ótima maneira de entender do papel de cada um durante o desenvolvimento. Depois de um tempo me passaram pro departamento de arte, e fiquei lá até 2012, quando resolvi sair pra fundar com outros dois colegas de trabalho nosso estúdio independente, a Alpaca Team. Eu tive contato com outros devs indies anteriormente (em especial o pessoal da Miniboss), mas foi só a partir de 2012 mesmo que resolvi ir full indie. Acho que a maior dificuldade de ser independente é dosar o tempo entre as atividades que você faz pra pagar tuas contas (porque infelizmente não conseguimos viver do dinheiro de vendas), e as coisas do próprio estúdio. Além disso, arranjar tempo e horário pra reuniões frequentes, esse tipo de coisa. Num grupo pequeno, é mais fácil gerenciar isso tudo, mas as responsabilidades também são maiores!

2- Como você julga a importância dos jogos independentes no Brasil?
Acredito que os jogos independentes no Brasil ainda são consumidos e pensados muito em nicho. A maior parcela dos jogadores ainda crê que "jogo de verdade" é AAA, então qualquer coisa que fuja levemente da grande indústria é visto com maus olhos, aqui. O cenário tem mudado bastante e muito rápido, apesar disso. Plataformas de distribuição como o Steam/Desura auxiliam e muito na (des)construção dessa mentalidade, mas ainda sofremos muito com falta de espaço. As pequenas produções indie também sofrem com pirataria (acreditem se quiser), mesmo custando menos de 2 reais. Então em suma, acredito se tratar muito mais de uma questão de mentalidade do que de inserção de mercado. Quando a mentalidade muda, as pessoas naturalmente passam a procurar e consumir aquilo que se tornou mais interessante pra elas.

3- O que podemos esperar do Pack of Horrors e tem algum material que você possa nos adiantar?
Sobre o pack, acredito que vocês vão precisar acompanhar nossos updates semanais no blog e também na página do Facebook adianto que muito possivelmente vamos contar com streaming ao vivo do evento, e todo mundo tá trabalhando bastante pra desenvolver coisas bacanas :) No mais, acho que é preciso acompanhar nossos updates (: Quanto à Alpaca, estamos pensando sobre as idéias também, e em breve devemos postar algo (perto do dia 5 de julho).

4- Qual sua mensagem para o blog PlayIndie e para os novos desenvolvedores?
 Hmm, acho que a mensagem que eu gostaria de deixar para o PlayIndie é que sites voltados para a produção independente são vitais para que essa mudança de mentalidade sobre o que é jogo aconteça- especialmente no Brasil. Precisamos - e muito- de canais que exponham com nosso trabalho e nossos jogos, então continuem o bom trabalho! Para os desenvolvedores que estão começando agora, eu sempre dou um conselho. Tentem começar um trabalho num estúdio de jogos e entender o que NÃO se deve fazer durante o processo de desenvolvimento de um game. Eu sei que mencionei antes que estar num estúdio é uma excelente porta de entrada pra se perceber como fazer as coisas, e essa resposta pode ser contraditória! Mas na realidade a imersão é o melhor jeito de perceber também as coisas erradas, e passar a trilhar teu próprio caminho da melhor maneira possível. Se você tem vontade de fazer jogos ou tá começando agora, não se esqueça de pensar pequeno, dentro das tuas capacidades. Um jogo bom pode ser feito com muito, muito pouco. Se você não programa, descubra um amigo ponta firme que possa te ajudar ou use alguma ferramenta como Construct/ Game Maker, se você não desenha, faça com quadrados. Estude o porque de você jogar as coisas que você joga, destrinche mecânicas de todas as coisas que você gosta. Faça o possível ao seu alcance, e seja humilde: em reconhecer erros (porque eles que ajudam a gente nos próximos jogos) e em ouvir conselhos (porque eles ajudam a gente pra caramba também!). Teça uma boa rede de relacionamentos, porque você vai precisar dividir experiências e jogos com pessoas de confiança, e por fim, esteja atento aos eventos e game jams, participe sempre que puder! 

Recomendamos vocês acompanharem o evento e o trabalho da "Alpaca Team" também. No blog oficial do "Pack of Horrors" já saíram alguns conceitos, vale a pena conferir! Agradecemos muito ao Midio pela entrevista e também a MiniBoss por nos recomendar o contato.

2 comentários:

Foletto disse...

Tô muito curioso pra ver os resultados do Pack of Horros! :D E muito interessante a trajetória do Midio! Começar como QA deve dar uma perspectiva diferente sobre algumas decisões de game design. E concordo com ele: Força pra PlayIndie!

sábado, julho 13, 2013
Gabriel disse...

@Foletto Sim, estou também e bem empolgado pelo Pack of Horrors né, no blog do Pack of Horrors você pode conferir uns conceitos bem legais da Catavento ou MiniBoss por exemplo e Obrigado pelo incentivo!

sábado, julho 13, 2013

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